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MERCEARIA MAGINA

MERCEARIA MAGINA

02
Jun17

Tempo de antena #3

 

Lara, 32 anos, natural de Lisboa.

Cresceu na zona da Ericeira mas a vida trocou-lhe as voltas e há 4 anos regressou à capital. Espontânea, positiva e algo refilona a Lara está grávida do seu primeiro filho. Em estado de graça, 'bora lá fazer uma onda à Lara! Uuuuueeeeeeeeeeeeeeee!

 

Bem-vinda Lara!

 

Obrigada por teres alinhado. Para começar, queres acrescentar algo à tua apresentação?

É difícil desistir de algo, falo pelos cotovelos e adorooo fazer experiências gastronómicas com o meu marido.

 

Eu também gosto muito de jantar as vossas experiências gastronómicas! Comecemos pelo princípio. Aos oito anos os teus pais separam-se e foste viver para Mafra. Como recordas esses tempos?

Os meus pais separam-se aos meus oito anos e fui viver para Mafra mas só aos dez. Não tenho nenhuma mágoa dessa separação, os meus pais deram-se bem, toda a minha vida, juntos ou não... O único trauma foi começar a dormir sozinha, que até então ia secretamente de noite para a cama dos meus pais. | risos |

 

Em adolescente sofreste de bulimia. Hoje, adulta e saudável, o que tens a dizer sobre isso?

Foi uma fase difícil, só quem passa por ela é que consegue dar o devido valor. Comecei por anorexia e quando percebi que não conseguia reduzir mais aquilo que comia, comecei a vomitar e sofri de bulimia. Costumava vomitar o jantar, que era a refeição que, por ser em casa, não podia escapar. Emagreci 34kg num ano. Quando estamos assim, olhamos para o espelho e apenas vemos gordura. Não conseguimos ver a realidade, apenas queremos ver mais ossos salientes... Por sorte tenho uma mãe muito persistente e atenta, e isto só durou três meses (apenas cheguei aos 44 quilos). Depois de descobrir, a minha mãe ia todos os dias à escola para lanchar comigo e certificava-se que eu tinha almoçado. Graças à minha mãe não tive repercussões mais graves de saúde. 

 

Aos dezoito anos, voltaste para Lisboa e entraste para a faculdade. Inscreveste-te numa licenciatura, mudaste para outra, acabaste por deixá-la e começaste a trabalhar. Arrependes-te da decisão?

Sinceramente não. Foi uma fase da minha vida que adorei e claro que hoje poderia ter uma licenciatura. Mas trabalho com tantos licenciados que recebem o mesmo que eu... Acho que ainda hoje não sei em que área gostaria de me licenciar! |risos|

 

Entretanto voltaste para a Ericeira e apaixonaste-te pelo - que é hoje - teu marido. Como descreverias a vossa relação?

Numa frase e muito lamechas: sem dúvida que encontrei o homem da minha vida, complementamo-nos e não o trocava por nada. Nunca amei ninguém como o amo...acima de tudo somos amigos e companheiros. Temos uma relação tranquila e muito mimosa. 

 

Vocês já estiveram desempregados ao mesmo tempo. Imagino que essa situação vos tenha fortalecido enquanto casal?

Cada ano destes quase dez, nos têm fortalecido. Já passámos por tanta coisa... Uma relação constrói-se!

 

Há quatro anos deixaram a Ericeira e foram viver para Lisboa. Foi difícil ou adaptaram-se rapidamente?

Curiosamente a adaptação foi mais rápida do que pensava. Somos um casal bastante sociável, por isso foi muito fácil fazer novas amizades e sentirmo-nos integrados.

 

Estás grávida! O que é que se sente quando se espera o primeiro filho?

É inexplicável. É algo tão mágico que é difícil de descrever. Para mim, a gravidez em si não é tão mágica como descrevem e acho que no início apenas nos sentimos gordas e pouco sensuais...Estou com 7 meses (30 semanas) e agora sim, sinto a magia. Estou a gerar um ser, a única coisa na minha vida que será mesmooooo minha (e do meu marido, claro...), é espectacular, a sério. Sou eu que a carrego - é menina! - e alimento todos os dias com o meu próprio corpo. Sinto-me mesmo em estado de graça. É maravilhoso, como ainda sem conheceres, já amas tanto alguém. 

 

Um objectivo para 2017?

O meu principal objectivo para 2017 é que a minha bebé nasça com muita saúde, e que o parto seja fácil, sem complicações.

 

Envias-me uma foto de algo que faça parte do teu dia-a-dia?

 

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Muito bem. Desafio-te a responderes às seguintes perguntas de alto teor intelectual. Preparada? Go!

 

1- Clube de futebol: Benfica, mas não ligo muito a futebol. 

2- Costumas levar os champôs de hotéis para casa? Claroooooooo!

3- Uma certeza: Vou ter uma menina!

4- Doces ou salgados? Salgados.

5- Se neste momento eu fosse à tua casa, ela estaria arrumada? Sim.

6- Já ficaste sem combustível no carro? Não, nunca.

7- Diz a verdade, quantos litros de água bebes ao dia? Dois litros.

8- Muito frio ou muito calor? Nem uma coisa, nem outra.

9- Um medo: Desistir.

10- Se pudesses saber algo sobre o futuro, qual seria a tua pergunta? Vai correr tudo bem?

 

Obrigada Lara! E parabéns pela princesa! É sempre gratificante conversar com alguém que transborda amor. Agora aproveita e guarda este texto - este estado de graça - para reler quando ela entrar na idade dos porquês. Se ela sair à mãe, cheira-me que vais precisar de alguma (nada, coisa pouca, assim de raspão) paciência. =)

 

26
Mai17

In Lisbon, like a virgin

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Há mais de uma semana que quase todos os dias leio uma notícia sobre a Madonna em Lisboa. Ou é porque a Madonna esteve no Liceu Charles Lepierre a pedir informações (fica sempre bem saber falar francês), ou porque a Madonna foi vista a passear nas Amoreiras (está ao lado do liceu, deve ter ido despachar o almoço na Go Natural), ou porque o filho da Madonna foi visto a jogar na escola do Benfica (ela sabe o que é bom), ou porque as gémeas da Madonna foram vistas a passear com o equipamento do Benfica (e há lá roupa mais bonita para as piquenas usarem?), ou porque a Madonna esteve a jantar com o Nuno Gomes (eu cá não deixava o meu homem jantar com a Madonna, é assim que elas acontecem), ou por alguma outra notícia que me está a escapar.

 

Eu acho pouco provável que a Madonna vá viver para Lisboa ainda que, se há pessoa que pode fazer o que lhe dá na telha, essa pessoa deve ser a Madonna. E depois vamos lá ver, se a Madonna não quer viver em Lisboa é ela que perde! Dada a aproximação da abertura da época balnear, das festas populares e dos festivais de verão, eu digo que se a Madonna é realmente uma miúda espevitada, ela não arranca pé de Lisboa tão cedo. Talvez ela fique mesmo e neste verão possamo-la ver na praia da Fonte da Telha com os putos. Ou a comer caracóis numa marisqueira em Alcântara. Talvez a apanhar sol num qualquer Outjazz. Quem sabe na fila para os Toi Toi no Nos Alive. Ou ainda a desfilar nas marchas populares, de sardinha na cabeça, como madrinha de Marvila. E se decide aventurar-se por esse Portugal fora, ainda somos capazes de vê-la a partilhar palco com a Ana Malhoa nas festas de verão de Monto Gordo. 

 

Eu não sei se a Madonna está a pensar mudar-se para Lisboa mas sei que razões não lhe faltam. Madonna, se me estás a ler: não sejas totó rapariga, tu fica em Lisboa. Aproveita e vai por mim comer um preguinho à cervejaria Boa Esperança em Benfica. Acredita que não te vais arrepender.

19
Mai17

Tempo de antena #2

Mário, 38 anos, natural de Peniche.

A paixão por pescar vem de miúdo e não há peixe que ele não conheça.
Bem disposto, prestável e com péssimo despertar, Mário trocou o mar por Lisboa. Sem perder nenhum avião de vista, aceitou ser o nosso primeiro entrevistado do género masculino. Palmas para ele!

Bem-vindo Mário!

 

Obrigada por teres alinhado e aceite o convite. Para começar, queres acrescentar algo à tua apresentação?

Acrescentar não, só um reparo...não sei onde foste buscar essa do "péssimo despertar".

 

...Consta por aí! És de Peniche. Para muitos é onde há bom peixe e boas ondas. Como é Peniche para ti?

São as minhas raízes, é onde está quase toda a minha família assim como alguns amigos de infância que foram ficando. Hoje em dia vou a Peniche para visitar a família e no verão, costumo ir lá passar uns dias e beber uns copos com o pessoal.

 

Um dos teus hobbies é a pesca. És uma pessoa paciente?

Tem dias...há dias que nem sequer tenho paciência para pensar e que tenho de ser paciente. Depois há outros dias que sou o mais calmo e paciente do mundo, mas regra geral sim, sei esperar pela altura e oportunidade certa.

 

Há uns aninhos, de mochila e jornal na mão, entraste num autocarro e foste para Lisboa à procura da tua sorte. O que te levou a essa decisão?

Vários factores. Numa cidade pequena não há muitas oportunidades. Ou tens a sorte de encontrar algo que te proporcione qualidade de vida ou tens de ir à procura noutro local. Eu tive de ir à procura até porque também tinha uma enorme vontade de conhecer pessoas novas e viver coisas diferentes das que tinha vivido até então.

 

E o que é que mais te custou na adaptação a Lisboa?

Sem dúvida foi estar longe da minha família. No início ia todos os fins-de-semana mas depois à medida que fui assentando, passei a ir mais esporadicamente. Apesar de ter sentido que aqui o ritmo de vida era mais exigente e mais acelerado, em termos gerais a adaptação não foi muito difícil. Afinal de contas continuava a estar no meu país.

 

Durante alguns anos viveste num quarto partilhado e trabalhavas à noite para poderes estudar de dia. És um lutador!

Não...tenho é uma enorme força de vontade! Houve alturas em que não foi fácil. Quase não via o sol, entrava nas aulas às 18h30 e saía de lá directo para fazer o turno da noite. Dormia de dia, vivia ao contrário do pessoal e do ciclo natural.

 

Mas valeu a pena! Licenciaste-te em Gestão de Operações de Voo e as coisas têm-te corrido bem. Explica-nos um bocadinho o que é isso de criar rotas para aviões?

Isso é apenas uma parte do nosso trabalho e das menos complicadas. A nível de rotas já temos sistemas informáticos que praticamente fazem-nas por nós. Só temos de ter atenção se realmente é a rota mais curta, caso contrário temos de trabalha-las manualmente. Mais desafiante é quando temos de planear voos para aeroportos restritos, por exemplo no meio dos Alpes, com uma pista curta e coberta de neve. Aí o planeamento tem de ser calculado ao quilo. |risos|

 

Pareces gostar daquilo que fazes. Sentes-te realizado ou tens outros planos para o futuro?

Sim, sinto-me realizado mas não deixo de ter outros planos... Quero trabalhar em algo mais abrangente. Mais em modo operações nos quais sou eu que trato de tudo em relação ao voo, handling, catering, autorizações de voo etc.

 

Um objectivo para 2017?

Mudar de emprego! |risos|

 

Envias-me uma foto de algo que faça parte do teu dia-a-dia?

 

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 Legenda: Objecto de ajuda ao levantamento matinal

 

 

Deixemo-nos de teorias e passemos ao mais importante. Em 3, 2, 1, go!

 

1- Clube de futebol: Que pergunta...Benficaaaaaaaa!!!

2- Costumas levar os champôs de hotéis para casa? Eu não! Eles é que às vezes se agarram às mãos...malandros!

3- Uma certeza: Prefiro cerveja a vinho.

4- Doces ou salgados? Doces.

5- Se neste momento eu fosse à tua casa, ela estaria arrumada? Humm mais ou menos!

6- Já ficaste sem combustível no carro? Duas vezes.

7- Diz a verdade, quantos litros de água bebes ao dia? Digamos que o médico do trabalho diz que eu tenho de beber muito mais.

8- Muito frio ou muito calor? Muito calor.

9- Um medo: Aranhas...

10- Se pudesses saber algo sobre o futuro, qual seria a tua pergunta? Benfica Pentacampeão...?

 

Obrigada MárioO lado prático do género masculino fica sempre bem num blog que é lido maioritariamente por mulheres! Já agora, se puderes dar um jeitinho no catering da aviação, tens-nos a todos eternamente agradecidos.

 

 

16
Mai17

Este amor chamado Benfica

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Não me lembro em que momento escolhi o Benfica como clube de futebol mas sei que sou do Benfica desde sempre. A minha família, embora seja benfiquista, não se interessa por futebol. Não sou essa miúda que é do Benfica porque o pai a levava ao estádio ou lhe comprava camisolas do clube. Pelo contrário, o meu pai costuma perguntar-me "como é que está o Benfica?". É um pouco estranha esta coisa de amar um clube de futebol. O Benfica faz-me saltar de felicidade, abraçar estranhos, gritar o que me vai na alma, perder a calma e até mesmo chorar (é fodido ser eliminado no minuto 92). Como qualquer outro amor, o meu amor pelo Benfica é irracional e muitas vezes, eu própria questiono-me como é que um clube de futebol pode despertar tantas emoções em mim. Mas a verdade é que desperta e honestamente, é brutal.


Ao viver fora de Portugal, não consigo estar presente em todas as datas que me são importantes e isso custa um bocadinho. Não vos vou mentir, custa-me ver o Benfica campeão e não poder ir para o Marquês como sempre, sempre, sempre o fiz. Quando em 2015 fomos bicampeões, eu vivia há poucos meses fora do país e, inexperiente nesta coisa que é estar longe, cheguei a chorar enquanto via as fotos que os meus amigos me enviavam desde o Marquês. Este ano quase que foi diferente. Há umas semanas, eu e alguns benfiquistas que conheço aqui em Madrid, combinámos ir ver o último jogo do Benfica a Lisboa. Durante umas semanas andámos todos a sonhar com o Marquês. No entanto o empate do Porto veio trocar-me as voltas e, quis o destino que eu voltasse a ver o Benfica campeão na mesma cidade dos últimos 3 anos: Barcelona. Já tínhamos esta viagem agendada há algum tempo, já tínhamos coisas combinadas com amigos, com família...não podia simplesmente borrifar-me nisto tudo, comprar um vôo e ir para Lisboa (mas pensei nisso, oh se pensei).


O Benfica marcou o primeiro golo, marcou o segundo, marcou o terceiro e eu só pedia aos meus amigos que não dissessem a palavra "campeões" antes do final do jogo. Ser benfiquista é também ser consciente que até ao apito final tudo pode mudar. O Benfica sagrou-se Tetracampeão e eu não cabia dentro de mim. Não houve um benfiquista que eu encontrasse na rua e não abraçasse (e fosse abraçada). Cantei "Campeões, campeões, nós somos campeões" como se estivesse no Estádio da Luz. Cantei, dancei e brindei pela vitória desta família que é o Benfica. Aceito e respeito que quem não goste de futebol tenha dificuldade em compreender este amor. Ainda assim, em momentos como este, é impossível não me sentir uma sortuda por ter este amor na minha vida. Ser do Benfica é viver emoções incríveis, é ter esperança quando tudo parece estar perdido, é ter orgulho em dizer: SOU BENFIQUISTA. 

 

Parabéns Benfica, parabéns Benfiquistas, somos Tetras!

 

11
Mai17

Eurovisão vs Papa vs Benfica

Podia dizer que não sei qual dos três me tem roubado mais atenção mas não seria de todo verdade. Nunca achei especial piada à Eurovisão mas como boa portuguesa que sou, aqui estou eu orgulhosamente a apoiar o Salvador (e gosto da canção, para mim foi o típico exemplo de "primeiro estranha-se, depois entranha-se"). Apesar de tudo, ainda não é desta que a Eurovisão me rouba o coração. Quando rima...

 

O Papa. O Papa assim de longe parece-me ser um senhor simpático, diria mesmo que tem cara de boa pessoa. Mas há um mas. É o líder mundial da Igreja Católica, instituição essa que tantas dúvidas me suscita. Vou portanto atirar-me areia para os olhos e dizer que sim, sim senhor, é muito bom o Papa ir a Portugal.

 

Posto isto, o que é que realmente me anda a deixar com o nervoso miudinho? Com picadas no estômago? Com um sorriso parvo na cara? O Glorioso é claro. Benfiquistas deste mundo: estamos todos a pensar no mesmo. Este sábado #estamosjuntos, como sempre #sejaondefor. Ah e tal, uma vez mais tinha que "ganhar" o futebol. Pois é, desculpem-me a previsibilidade...quem diz a verdade não merece castigo. Vamos Benfica! 

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