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MERCEARIA MAGINA

MERCEARIA MAGINA

08
Abr17

El Rayo

Ontem o meu catalão entrou em casa cheio de energia. Esbracejava e falava efusivamente que tinha um plano bueda fixe para o dia seguinte: irmos a Vallercas. "E o que há em Vallercas?", estarão vocês a pensar. Nada pessoal. Há o campo do Rayo, um clube de futebol da segunda divisão. O que se passa é que este rapaz acha que "isto assim não pode ser". Acha que devemos arranjar um clube pequenino aqui da zona, por quem torcer. "Assim podemos ir ao campo! E costuma ser uma festa. Bandeiras, todos a cantar...tipo Benfica estás a ver?". Sabe muito. 

 

Posto isto, hoje vamos a Vallercas ver o Rayo x Tenerife. Mas desenganem-se se pensam que vamos por volta da hora do jogo. Não. Nós vamos umas horas antes porque assim "aun podemos ver el Real x Atlético en un bar, mientras tomamos unas cañitas y unas tapitas...Venga va que en Vallercas a nadie le gusta el Real". Impossível resistir a um culé nostálgico. Siga para Vallercas.  

 

07
Abr17

O mundo encantado dos senhores das obras

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Corria o ano 2014 quando numa bela manhã fui presenteada pelos elogios dos senhores das obras que por ali andavam. Por ali salvo seja pois este episódio deu-se à porta do prédio onde eu vivia. "Ó flor, dá para pôr?", ouvi eu. Ainda não seriam 8h30 da manhã pelo que o meu cérebro demorou uns minutos a entender a mensagem. Pois que o mundo é uma ervilha e as obras na minha rua estavam minadas de portugueses. O que mais podemos pedir nesta vida? A coisa repetiu-se uma e outra vez até que numa outra manhã (não me lembro mas aposto que era segunda-feira), ouvi outro elogio igualmente elegante e o meu mau feitio matinal veio à tona. "Foda-se, já chega caralho! Sou portuguesa, percebo tudo o que vocês dizem e não estou para vos aturar. Não têm vergonha?! As vossas mães, mulheres, irmãs e filhas iam adorar ouvir estas merdas!". Meus amigos, foi remédio santo. A cara deles ficou-me guardada para a história.

 

Esta semana, aqui em Madrid, começaram umas obras na minha rua. Mais propriamente no prédio que tenho à frente. Como tenho passado algum tempo em casa, tenho tido oportunidade de estudar o comportamento desta espécie rara que são os senhores das obras. Não sei se isto será um caso isolado mas que há diferenças, lá isso há. Bitaites às raparigas que passam na rua? Alguns. O ideal era não ouvir nenhum mas dentro do possível a coisa nem corre mal. "Guapa!; Pivón!; Yo sin ti y tú sin mi, dime quién puede ser feliz; Bombón!". Confesso que às vezes até me rio com o que ouço e, honestamente, o pior destas obras tem sido ouvir reggaeton horas a fio. Não vos minto se vos digo que dei por mim a cantar a "Travesuras" no banho. Ou a "Despacito" enquanto cozinhava. Lá está, se não podes vencê-los...

 

A questão que levanto é: porquê que os "portugueses das obras" são tão trolhas nos seus comentários? Serão carências? Acreditarão que é assim que se ganha um sorriso ou uma noite de forrobodó? O que é que eles esperam com estes comentários? A verdade é que quando confrontados com respostas igualmente brilhantes, costumam meter o rabinho entre as pernas. Sem querer perder muito tempo com o assunto, até gostava de perceber a lógica da coisa. Se é que isso é possível.

 

06
Abr17

Fui enganada!

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Já aqui vos disse que adoro café. Consta que ainda gatinhava e já adorava o cheiro do café. Tanto que num segundo de distracção dos meus pais, entornei para cima de mim uma chávena de café quente e lá fomos a correr para as urgências da D. Estefânia. Sem traumas ou marcas, assumo-me viciada em café.

 

Uma cena agradável em Madrid é a vasta presença do café Delta. Obrigada Nabeiro! Há uns dias vi que tenho ao lado de casa, um bar que serve café Delta pela módica quantia de 0,80€. E surpresa das surpresas, o café é bem tirado! Ganharam uma cliente para a vida. No entanto, ontem andava a tratar de papeladas e cruzei-me com um bar cujo toldo era da Delta. Nem pensei duas vezes, entrei e pedi um "café solo". O café estava mal tirado e vinha numa chávena de chá. Bebi-o frustrada e pensei que não voltaria ali. Mal sabia eu que este não seria o principal problema. Pediram-me 2,40€ pelo café. DOIS EUROS E QUARENTA POR UM CAFÉ MAL TIRADO E NUMA CHÁVENA DE CHÁ. E não, eu não estava numa esplanada frente ao mar (aqui não há mar!) nem num café da moda. Eu estava num bar/restaurante perfeitamente convencional e bebi o café ao balcão, de pé. Refilei, paguei e vim-me embora. Ladrões. Não me enganam outra vez.

 

06
Abr17

Tinder #Freakàsolta

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Tinder. Há tanto e tão pouco a dizer sobre o Tinder. É certo e sabido que há boa gente no Tinder mas não é do "bons" que reza a história. Vamos lá esclarecer uma coisa, o Tinder é um chat de engate em que a coisa se dá ou não se dá, certo? Match or doesn't match, fácil. Mais ou menos. Tenho cá para mim que há para lá muita gente amargada e desocupada. No passado fim de semana fui tomar café com uma amiga. Ela chegou irritada, de telemóvel em punho e ainda eu não lhe tinha perguntado o que fosse, já ela me tinha posto o telemóvel à frente. "Pah olha-me este idiota!". Curiosos? Ora atentem:

 

Tinderman: Olha afinal hoje não vai dar. Esqueci-me que já tinha combinado com um amigo.

Amiga: Ok, na boa.

Tinderman: Mas se quiseres podemos jantar amanhã..?

Amiga: Hmm ok mas eu amanhã saio tarde. Teria que ser por volta das 22h.

Tinderman: Por mim tudo bem, amanhã às 22h então. Apetece-te ir a algum sítio especial?

Amiga: Nem por isso, amanhã decidimos!

Tinderman: Ok!

- 2 horas depois - 

Tinderman: Olha afinal amanhã não vai dar. A Cátia sai mais cedo e prefiro ir ter com ela.

 

Senhores, qual é a necessidade? Não sei se o gajo era demasiado sincero ou só era parvo. Só sei que miúdas, anda por aí muito freak à solta. 

 

05
Abr17

Em busca de novos sítios

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Quando mudamos de cidade, entre várias coisas, perdemos os "nossos sítios". O café da esquina cujo já é uma extensão da nossa casa, aquele restaurante "bom, bonito e barato" que tantas vezes nos safa, aquele spot que vamos quando queremos estar sozinhos e pôr as ideias no sítio, etc. Não é nenhum drama, faz parte da mudança e até pode servir de incentivo para passear e descobrir os "nossos novos sítios". 

 

No entanto (há sempre um "mas" não é verdade?) há um sítio que a mim me custa perder e voltar a encontrar: o cabeleireiro! Já vos disse aqui que sou picuinhas com o cabelo. Ontem vi que a lua estava em quarto crescente e decidi ir cortar o cabelo. Nada de especial, queria apenas escadeá-lo um pouco à frente e manter o comprimento. Pensei que mesmo não conhecendo nenhum cabeleireiro em Madrid, a coisa não podia correr muito mal e fui a um perto de casa. Efectivamente a coisa não correu mal. Mas podia. Que merda é essa de nos cortarem o cabelo com máquina? Sim, sim. Máquina, essa que usam para cortar o cabelo aos gajos. Não estava a acreditar quando vi a rapariga aproximar-se do meu cabelo com a máquina na mão. "Zzzuuuuuummmmm". Comecei logo com o suores frios e, obviamente perguntei-lhe "não vai cortar com tesoura?". Respondeu-me friamente (já com a máquina metida no meu cabelo) que "esta é a nossa técnica de trabalho". 

 

Bonita técnica sim senhora. E rápida. Mas não esperem que volte a confiar os meus fios de rapunzel naquelas mãos. Tenho que encontrar um cabeleireiro. Desses onde se usam tesouras.

 

04
Abr17

Malditas transparências

 

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Miúdas, preciso da vossa ajuda. Passo a explicar: já perdi a conta à quantidade de vestidos, calças e saias que não comprei por serem transparentes. É aquela transparência quando pomos a peça contra a luz, sabem? Eu questiono-me qual será a ideia? Pedir um café e elogiarem-nos as cuecas? Chegar ao trabalho e ter a colega a perguntar-nos onde é que comprámos as nossas cuecas com unicórnios? Mostrar ao mundo que hoje estamos em modo sexy? Não obrigada. As cuecas são minhas e eu não quero partilhá-las com ninguém. Então e forro, o que é feito dele? Caiu em desuso e eu não dei por isso? Ah e tal, cuecas cor de carne. Pois está bem mas eu cá continuo a sentir que estou a mostrar as cuecas. Façam-me um favor e contem-me os vossos truques! 

04
Abr17

Ser gaja é caro

Dizia-o uma amiga minha há uns dias. "Como assim?", perguntam-me vocês. Ora vejamos, comecemos por generalizar a condição feminina. Generalização feita, observemos as responsabilidades inerentes a esta espécie. Uma gaja tem que se preocupar com: o período, o cabelo, a depilação, a manicure e a maquilhagem. Isto no melhor dos casos. Todos sabemos que a mulher é um ser complexo e algo insatisfeito. "Oh, mas também não são assim tantas coisas", dizem vocês, homens certamente. Muito bem, sejamos então mais precisos.

 

Comecemos pelo cabelo. Ele é champô (andam com o cabelo seco/ oleoso/ sem volume/ a querer espigar?), ele é amaciador (ora não desembaraçam o cabelo/ ora deixam o cabelo pesado/ ora deixam o cabelo oleoso/ ora deixa o cabelo sonso), ele é máscara hidratante (um must it), ele é sérum (dá aquele toque) e ele é espuma (ou para dominar os caracóis, ou para dar volume, ou para outra merda qualquer). Sugiro ainda que finjamos que todas deixamos secar o cabelo ao ar e que nenhuma estica o cabelo. Só naquela. 

 

Período? As que ainda não aderiram ao copinho, não se escapam ao óbvio. Quem é que nunca foi apanhada desprevenida? Tão bom, não é? Não há volta a dar, uma gaja tem que estar atenta ao stock de tampões e pensos higiénicos. E quando falo de stock refiro-me ao de casa e ao que temos distribuído por malas, mochilas, malas de viagem, sacos de ginásio, porta-luvas do carro e por aí fora. Nunca é demais ter um tampão à mão de semear.

 

Depilação. Temos mesmo que falar disto? Máquinas, giletes, cremes depilatórios, cera quente, cera fria, bandas, bandas para o buço, bandas para as sobrancelhas, pinças, óleos...o que é que me está a escapar? Isto para as gajas que fazem a depilação em casa mas atenção, as que não fazem também não se safam. Não é fixe pagar para que nos arranquem pêlos nas virilhas. Já ouvi dizer que não há como a depilação definitiva e até acredito. Vale tudo para não parecer uma ursinha cor-de-rosa.

 

Misturemos manicure e maquilhagem. E cremes, uma gaja não vive sem cremes. Cremes para tudo. Se tivermos cremes e óleos ainda é melhor. E exfoliantes, claro. Manicure em casa? Não vos quero aborrecer e o post já vai longo. Manicure na rua? "Vai ser normal, francesa ou gelinho?". Last but not least, a maquilhagem. Gajas que não se maquilham, vocês têm o meu respeito. Gajas que se maquilham, muito ou pouco, estamos juntas. E quem maquilha também desmaquilha não é verdade? Pessoal, é verdade, está aqui muito capital investido. Ser gaja é caro? Talvez. Mas acima de tudo, ser gaja é uma trabalheira dos diabos.

 

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03
Abr17

Mudar

Ao longo destes 4 anos anos a viver em Espanha, foram várias as pessoas que me perguntaram "porquê Barcelona e não Madrid?". Eu, convicta das minhas próprias certezas, respondia sempre que "seria incapaz de viver numa cidade sem praia ou estar longe do mar". Chamem-lhe capricho ou parvoíce mas isso foi uma coisa que sempre me causou confusão: a ideia de não ter o mar por perto. 

 

Ingénua ou arrogante, a verdade é que acabei por cuspir para o ar e toda a gente sabe que isso não costuma ser boa ideia. Escrevo-vos desde Madrid, a minha nova casa. É um pouco estranho escrever isto. Talvez seja por hábito, ou falta dele. Talvez seja pelo que sempre pensei. Talvez seja por ter deixado uma cidade que adoro. Talvez seja tudo isto.

 

Não sei a razão mas a verdade é que isso também não importa, não estou assustada. Sinto-me curiosa, contente, motivada. Às vezes mudar assusta mas, a vida também me tem demonstrado que costuma correr bem quando o faço. E se não correr bem estamos cá para aprender. No pasa res.

 

Se eu gosto de viver numa cidade longe do mar? Ainda é cedo para poder responder. Mas também não é disso que se trata, até porque o mar...esse saberei sempre onde encontrá-lo. Hola Madrid!

 

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