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MERCEARIA MAGINA

MERCEARIA MAGINA

08
Mai17

Pombos citadinos

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O que seria de Lisboa sem pombos? Seria uma cidade muito mais aborrecida certamente. Imaginem lá o que seria nunca sermos brindados com merda de pombo no capô do carro, na roupa estendida ou na cabeça enquanto andamos a tratar da nossa vidinha...já imaginaram? A coisa não teria a mesma graça! Os pombos têm um papel importante na vida dos lisboetas e se não acreditam em mim perguntem-no a qualquer reformado que encontrem com um saquinho de migalhas de pão no Jardim da Estrela. Ou no Jardim da Parada. Ou no Jardim do Campo Grande. Ou no Rossio. Pois é meus amigos, os pombos andam à solta e são mais que as mães. Se não podemos ganhá-los mais vale aceitá-los. Consta por aí que levar com uma cagadela de pombo é sinal de sorte, ora que mais podemos pedir nesta vida? Um bom emprego? Uma casa confortável? Ganhar o euromilhões? Nada disso. O que todos andamos a precisar é cruzar-nos com algum pombo que sofra de diarreia e não façam essas caras. Há uns anos - vivia eu no centro de Lisboa - acordei para ir trabalhar, quando a caminho da casa de banho ouvi em alto e bom som "pruu, pruuu, pruu". Era verão, estava um calor dos diabos e eu tinha por hábito deixar a janela da cozinha entreaberta, numa tentativa de ventilar a casa. A medo persegui o som e em poucos segundos a dúvida deu lugar à certeza. Tinha-me saído a sorte grande e eu tinha um pombo na sala. Estão a ver o cúmulo do histerismo e do NOJO ao mesmo tempo? Era eu em pessoa. Hoje vejo que a minha atitude não foi a correcta e se até hoje não ganhei o euromilhões, a mim o devo. Depois de lágrimas, gritos, pulinhos enojados e muito suor lá consegui expulsar a merda do pombo de casa. Passei os restantes dias desse mês a lavar e desinfectar a sala, a cozinha, o corredor, enfim, todos os sítios pelos quais o pombo pudesse alegremente ter passeado. Nunca recuperei totalmente do trauma e dificilmente me apanham a dormir com uma janela aberta. Tenham cuidado e dêem-se por agradecidos de levar com um presente de pombo ao ar livre. Não sabem a sorte que têm.

 

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